Projeto usa música para amparar moradores de rua do Rio


13/06/2016 06h20 – Atualizado em 13/06/2016 06h25

‘Consultório de rua’ tem sete equipes na cidade e mais de oito mil inscritos.
Agente comunitário usa acordeon para cativar moradores de rua.

Matheus Rodrigues e Patricia Albuquerque

Do G1 Rio

Desavenças familiares, vício em álcool e outras drogas e dificuldades financeiras estão entre os motivos que levam pessoas a viverem nas ruas. Sair da situação de vulnerabilidade sem ajuda, não é uma tarefa fácil. Para tentar “quebrar o gelo” dessa dura realidade e estabelecer um primeiro contato, funcionários de saúde e assistência social da Zona Oeste do Rio estão usando a música como ferramenta para se aproximar da população de rua. Os objetivos são reduzir danos na vida de quem quer permanecer nas ruas, ou mostrar o caminho para quem quer sair.

O G1 acompanhou uma manhã de atendimento do programa ‘Consultório na Rua’ na Zona Oeste. O projeto foi elaborado pelo Governo Federal e possui sete equipes no Rio. Na unidade de Realengo, Zona Oeste, uma das atividades elaboradas é o “Café da Manhã Psicossocial”, onde uma equipe se reúne com os moradores de ruas da região. Um dos diferenciais desta iniciativa é a presença do agente comunitário Kelson da Silva. Sempre acompanhado de seu acordeon, ele tenta ganhar a confiança e atenção das pessoas através da música.

Kelson da Silva usa a música para ganahr atenção de moradores de rua (Foto: Reprodução / G1)Kelson da Silva usa a música para ganahr atenção
de moradores de rua (Foto: Reprodução / G1)

O agente comunitário contou que a possibilidade de reinserir estas pessoas na sociedade é muito gratificante. “Para mim e para a equipe é um ganho muito grande [participar do Consultório na Rua]. Porque é uma oportunidade do ser humano despertar o lado humano no outro que por vezes é desvalorizado no mercado de trabalho ou por fragilidade nos laços de família e também pelo uso da droga que eles viam na rua. A oportunidade que o consultório tem de possibilitar essa reinserção [na sociedade], para mim, eu me sinto realizado como ser humano na medida que eu consigo lidar com outras pessoas que estão na vulnerabilidade. Você ver as pessoas sendo reinseridas e mudando o contexto de vida, é um ganho muito grande”, disse Kelson.

No Rio, mais de 50 bairros são beneficiados com 8,7 mil pessoas inscritas. O médico responsável pelo Consultório na Rua da Zona Oeste, Luiz Guilherme Ferreira Filho, afirmou que o primeiro passo é conquistar a confiança dos moradores de rua. Em seguida, eles tentam oferecer melhorias para a vida destas pessoas. De acordo com ele, a iniciativa também é uma oportunidade de estender direitos às pessoas.

“Essa política está ali para dar a ela tanto uma visibilidade para aquelas pessoas nas situações que elas enfrentam e que a gente tenta combater, quanto falar que elas tem todos os direitos como qualquer outro cidadão. As vezes elas ou não sabem que têm direito ou não acreditam que esses direitos serviriam para elas A gente vai conversando e vai criando mais que um vínculo de amizade, mas de confiança. Onde ela se sente segura para abrir suas intimidades e quem ela é. E nesta troca a gente pode sugerir melhorias”, afirmou o médico.

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