Só um aparelho de raio-x funciona em hospital do Rio, segundo funcionários


09/06/2016 11h07 – Atualizado em 09/06/2016 11h07

Enquanto isso, reclamações se acumulam; sindicato vai buscar o MP.
Direção da unidade de saúde nega e diz que dois aparelhos funcionam.

Nicolás Satriano

Do G1 Rio

Funcionários reclamam que aparelhos estão quebrados há meses (Foto: Arquivo pessoal)Funcionários reclamam que aparelhos estão quebrados há meses (Foto: Arquivo pessoal)

A receita para quem chega ao Hospital Municipal Salgado Filho precisando fazer um raio-x é paciência. Isso porque dos quatro aparelhos da unidade, no Méier, Zona Norte do Rio, que deveriam estar operando, só um realmente funciona, segundo um funcionário da unidade que prefere manter o anonimato.

O Sindicato dos Médicos do Rio confirma a informação. Para o presidente do SinMed, Jorge Darze, a situação é absurda e disse que nesta quarta vai pedir ao Ministério Público do Rio que tome providências em relação aos equipamentos de raio-x do Salgado Filho.

“Um hospital de emergência, com porta aberta 24h, não pode viver situações desse tipo. Isso traz prejuízo ao atendimento dos pacientes. É preciso ter a infraestrutura funcionando de maneira adequada porque nunca se sabe quem serão os pacientes que chegarão. A dificuldade de se fazer um raio-x pode comprometer o prognóstico do paciente”, criticou.

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), porém, a direção do hospital diz que, na verdade, são dois aparelhos que funcionam. O órgão também promete que “um terceiro chegará nos próximos dias, remanejado de outra unidade”. A pasta também informou que há um processo de licitação para renovar parques tecnológicos e comprar novos aparelhos.

Situação precária há três meses, diz funcionário
Apesar da promessa da SMS, funcionários do hospital contam que o drama é antigo e várias reclamações têm sido feitas sobre a precariedade dos equipamentos. Segundo o funcionário que fez a denúncia ao G1, a situação perdura há três meses. “Só funciona um, na sala número 4. Os das outras salas estão sem funcionar há três meses. Um aparelho, na sala 2, está há um ano parado. E lá [no Salgado Filho] não tem aparelho digital”, reclama um dos funcionários.

Equipamentos são ultrapassados; profissionais pedem aparelhos novos (Foto: Arquivo pessoal)Equipamentos são ultrapassados; profissionais
pedem aparelhos novos (Foto: Arquivo pessoal)

Com a demora no atendimento, o profissional conta que pacientes costumam ficar estressados e que o tempo de espera pode passar de uma hora. Segundo ele, na última quarta-feira (1º), funcionários chegaram a ter um bate-boca com o chefe de equipe, que levou as reclamações à direção do hospital. O funcionário estima que são feitas aproximadamente 406 “chapas” no Salgado Filho, por uma equipe de dez pessoas.

“Não temos como atender a uma demanda grande. Às vezes não podemos nem atender as salas de leito: CTI e a Sala Vermelha, por exemplo. Os aparelhos portáteis também só vivem quebrados. São aparelhos antigos, remodulados”, continua o profissional.

O que poderia ser a saída para evitar que pacientes de leitos tenham de se deslocar para realizar o exame acaba sendo mais um problema. Dos aparelhos portáteis que a unidade dispõe – dez ao todo – quatro estão quebrados.

“Queremos aparelhos novos e digitais. Os usados por nós são ultrapassados, têm mais de 15 anos de uso. E não existe mais peça de reposição para eles. O diretor até cobra, dizem que vai resolver e não resolve. Parece que em hospitais na Zona Sul, como o Miguel Couto e Souza Aguiar, vão chegar aparelhos novos, mas o Salgado Filho está esquecido”, complementa o profissional.

Segundo funcionários, além de serem velhos, os equipamentos não têm passado por manutenção porque a prefeitura carioca não pagou a empresa que conserta os aparelhos.

Secretaria de Saúde promete novos equipamentos ainda este ano (Foto: Arquivo pessoal)Secretaria de Saúde promete novos equipamentos ainda este ano (Foto: Arquivo pessoal)

O presidente do sindicato diz que não é coerente a prefeitura ter feito tantos gastos com os Jogos Olímpicos de 2016 e não ter investido na infraestrutura da própria rede municipal de saúde.

“Trabalhar com tecnologia antiga e já superada também não é razoável. Equipamentos mais modernos também são mais fidedignos em relação ao resultado. Acho que um paciente que chega no hospital e precisa fazer um raio-x deveria ser atendido imediatamente”, defende Darze.

Aparelhos novos
Em nota, a Secretaria de Saúde informou que, “em 2008, a rede municipal contava com apenas 46 aparelhos de raio-x em funcionamento”. No ano seguinte, a pasta diz que 110 novos aparelhos foram adquiridos, todos digitais.

A SMS prometeu novos aparelhos de raio-x para os hospitais municipais ainda este ano, que serão adquiridos via processo de licitação já em andamento. Segundo a pasta, as unidades que receberão novos equipamentos serão o Salgado Filho, o Lourenço Jorge, o Rocha Faria e o Albert Schweitzer; além do Souza Aguia.

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