‘É triste’, diz dono de fábrica que fez 25 mil máscaras do ‘Japonês da Federal’


08/06/2016 14h47 – Atualizado em 08/06/2016 14h47

‘Acreditavam que ele fazia o bem, mas surge um caso de corrupção’, afirma.
Fantasia foi a mais vendida do carnaval em fábrica de São Gonçalo, no RJ.

Gabriel Barreira

Do G1 Rio

máscaras de carnaval do 'Japonês da Federal', o agente Newton Ishii, da PF, produzidas na fábrica Condal, em São Gonçalo, no Grande Rio, em foto de janeiro deste ano (Foto: Fábio Motta/Estadão Conteúdo/Arquivo)máscaras de carnaval do ‘Japonês da Federal’, o agente Newton Ishii, da PF, produzidas na fábrica Condal, em São Gonçalo, no Grande Rio, em foto de janeiro deste ano (Foto: Fábio Motta/Estadão Conteúdo/Arquivo)

Nenhum rosto foi mais visto no carnaval carioca do que o de Newton Ishii. Policial federal responsável por conduzir presos da Operação Lava Jato, ele virou tema de marchinha e até de fantasias. Sua máscara foi campeã de vendas da fábrica Condal, a principal do Rio, em São Gonçalo. No total, 25 mil unidades da fantasia do “Japonês da Federal” foram vendidas.

Diretor comercial da empresa e um dos donos da Condal, Albert Paris diz que nenhuma outra figura política foi tão visada em fevereiro e março, e até nos protestos pelo impeachment. Até ser preso nesta terça-feira (8). Ishii era, nas palavras do diretor da firma, a “imagem positiva em meio ao caos político”. Será que seus clientes não se arrependeram da compra?

“Devem estar pensando a mesma coisa que eu. As pessoas acreditavam que ele fazia o bem, mas surge um caso de corrupção. É triste. Acho que todos nós ficamos um pouco surpresos com esta notícia”, diz.

Segundo ele, rostos como o de José Sarney, Eduardo Cunha e Sérgio Moro — ou até mesmo os envolvidos no caso do Mensalão — jamais atingiram um número tão alto de vendas.

Como são compradas quase sempre para saudar os “homenageados”, diz Paris, as máscaras do “Japonês da Federal” não devem voltar a ser requisitadas. Nem mesmo em tom de protesto.

“Era ele quem prendia as pessoas da Lava-Jato e era esta a motivação para as pessoas comprarem, para elogiar. Neste momento, as vendas não devem aumentar. Vamos ver como o mercado assimila esta notícia”, lamentou.

Ishii é investigado desde 2003, citado num inquérito que investiga contrabando com a ajuda de agentes federais. Em março, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou recurso ao grupo. Ele já havia sido condenado na Operação Sucuri, mas recorreu. Nesta terça, o “Japonês da Federal” se apresentou espontaneamente à polícia.

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