Inauguração do VLT traz lembranças do bonde e vira atração no Rio


04/06/2016 08h12 – Atualizado em 04/06/2016 08h12

Circulação começa domingo (5); trecho vai da rodoviária ao Santos Dumont.
Trem vai conviver com carros, pedestres e ônibus na Av. Rio Branco.

Káthia Mello

Do G1 Rio

 

 

Ele é uma atração enquanto cruza, quase sem ruído, a Avenida Rio Branco, no Centro do Rio, numa manhã chuvosa de outono. Não há pescoço que fique parado, nem celular que fique guardado. E para quem tem mais de 60 anos, é uma viagem de volta no tempo.

Foi assim que se sentiu o advogado aposentado, Marcos Muniz, 73 anos, ao entrar pela primeira vez no Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT), na última quinta-feira (2), convidado pela reportagem do G1.

O passeio reuniu jornalistas que acompanharam os últimos acertos do VLT antes da entrada em circulação do primeiro trecho – rodoviária ao Aerporto Santos Dumont – neste domingo (5).

 

O advogado carioca disse que achou o VLT moderno e bem mais confortável do que os bondes antigos. Enquanto conhecia o trem, ele relembrou os tempos em que usava o antigo meio de transporte, que parou de circular no final dos anos 1960. Tudo bem vivo na memória.

“Tô muito feliz, viu. Como carioca, vivi minha infância nos Pilares, no Méier, e viajando de bonde o Rio de Janeiro. A volta, sinceramente, está me deixando encantado”, afirmou Muniz.

Atenção no trajeto
O VLT, com sua modernidade e tecnologia, é o mais novo integrante de uma já tumultuada paisagem onde estão ônibus, carros, motos, bicicletas e pedestres.

E esse será um dos grandes desafios para Elivelton da Silva Alves, 38 anos, ex-motorista de caminhão-reboque da Ponte Rio-Niterói, um dos 28 condutores dos trens.

Ele vai ter que usar todos os conhecimentos do curso que fez durante um mês na França para evitar situações como as que nossa equipe flagrou durante o teste nesta quinta: pedestres que atravessam fora da faixa; ônibus que ficam parados sobre os trilhos; e entregadores de mercadorias que invadem o espaço do VLT com suas bicicletas. Por isso, Elivelton passa boa parte do percurso com o dedo na buzina do trem.

“Existem diversas pessoas que ainda não se acostumaram com esse modal de transporte. Ainda vai levar algum tempo para as pessoas se acostumarem. Temos que tomar cuidado com relação a tudo que está na nossa volta. O mais importante na nossa condução é sempre visualizar o exterior para qualquer eventualidade”, explicou.

Elivelton Alves é um dos 28 condutores do VLT (Foto: Rodrigo Gorosito/G1)Elivelton Alves é um dos 28 condutores do VLT (Foto: Rodrigo Gorosito/G1)

Segundo ele, a buzina é acionada uma ou duas vezes em cada cruzamento dependendo da quantidade de pessoas em cada cruzamento. Ele confessa que durante os testes já usou muito o freio, principalmente por causa das selfies dos curiosos. “Nossa intenção é que a pessoa olhe para nós e veja que o VLT vai passar”.

No dia do teste, Elivelton usou velocidades entre 5 e 27 km. Além da buzinha, guardas do Centro de Operações da prefeitura orientam pedestres e motoristas sobre a aproximação do  trem. O período em que ele fica mais tempo parado é no cruzamento da Avenida Rio Branco com Avenida Presidente Vargas (confira no vídeo acima).

Entregador em bicicleta não respeita passagem do trem do VLT durante testes  (Foto: Rodrigo Gorosito/G1)Entregador em bicicleta não respeita passagem do trem do VLT durante testes (Foto: Rodrigo Gorosito/G1)

Um novo personagem no Centro
Essa convivência com o VLT também divide opiniões dos taxistas que circulam no Centro da cidade. Arlécio dos Santos Rosa, 63 anos, andou de bonde quando era criança e diz que agora está preocupado com a segurança.

“Usei bastante quando era pequeno, com 12 anos de idade, mas não era tão perigoso como agora. Não tinha tanto veículo nas ruas, não tinha tanto ônibus e as pessoas eram mais cuidadosas. Acho que o carioca não está preparado”, disse

Tô muito feliz, viu. Como carioca, vivi minha infância nos Pilares, no Méier, e viajando de bonde o Rio de Janeiro. A volta, sinceramente, está me deixando encantado”
Marcos Muniz, advogado

Já o taxista Luciano de Souza, 53 anos, está curioso e quer experimentar uma viagem assim que os trens começarem a circular. “Acho que esse VLT vai dar certo no Centro da cidade devido ao número de linhas de ônibus que sobrecarrega o centro. Acho que vai dar uma melhorada nisso aí, vai ficar bom”, avaliou.

Polêmica
A inauguração do VLT estava marcada para o dia 22 de maio. No entanto, a prefeitura adiou para que as pessoas que circulam pelo Centro tivessem mais tempo para se acostumar com o novo meio de transporte.

No início da semana, o Ministério Público pediu que a circulação fosse mais uma vez adiada sob a alegação de que a sinalização no trecho em que o trem vai circular nesta primeira fase precisa ser testada e aprovada para integridade e segurança dos passageiros, pedestres e pessoas que vão circular pelas imediações do VLT.

Trens na Parada dos Museus, na Praça Mauá (Foto: Rodrigo Gorosito/G1)Trens na Parada dos Museus, na Praça Mauá (Foto: Rodrigo Gorosito/G1)

Na quinta-feira (2), a Justiça negou o pedido feito pelo Ministério Público. Uma audiência especial foi realizada na quarta-feira (1º), quando a prefeitura esclareceu que a CET-RIO já monitora a sinalização semafórica instalada pela Concessionária do VLT Carioca.

Na decisão, a juíza destacou que há riscos em qualquer lugar em que haja tráfego de veículos e pedestres, mas que podem ser reduzidos com a instalação de sinalização adequada – o que a prefeitura afirma ter cumprido.

VLT circula na Avenida Rio Branco durante testes (Foto: Rodrigo Gorosito/G1)VLT circula na Avenida Rio Branco durante testes (Foto: Rodrigo Gorosito/G1)

Funcionamento em etapas
De acordo com a prefeitura, serão oito fases de implantação até o início da Olimpíada, no dia 5 de agosto. Nesta etapa que inaugura domingo, serão oito paradas — Parada dos Museus (ao lado do Museu de Arte do Rio), São Bento, Candelária, Sete de Setembro, Carioca, Cinelândia, Antônio Carlos e Santos Dumont. Quando estiver totalmente pronto, o percurso terá 28 paradas e três estações.

O passageiro vai viajar de graça até 1º de julho, durante esse período de funcionamento. Inicialmente, batedores da CET-Rio acompanharão os VLTs, para alertar as pessoas na rua.

Na primeira semana, a circulação será de três horas (de 12h as 15h), com meia hora de intervalo entre as viagens e somente nos dias úteis. Três trens vão fazer esse percurso. A circulação será entre a Parada dos Museus, na Praça Mauá, até o Aeroporto Santos Dumont.
Na segunda semana, o horário será ampliado para 11h até 16h.

Na terceira semana, os trens vão sair da Parada dos Navios até o Santos Dumont, de 10h até 16h, com intervalo de 30 minutos. Na semana seguinte, os trens partem da parada da  Praia Formosa, no Santo Cristo, até o Santos Dumont, de 9h até 17h, com intervalo de 15 minutos e sete veículos.

Máquina validadora de bilhetes no interior do trem do VLT (Foto: Rodrigo Gorosito/G1)Máquina validadora de bilhetes no interior
do trem do VLT (Foto: Rodrigo Gorosito/G1)

Na sexta e na sétima semana, também será ampliado o horário de início e de término das viagens. Primeiro eles vão circular das 7h às 21h, com intervalo de 15 minutos. Em seguida, das 6h às 24h.

E no início do período olímpico, a circulação será feita da Parada dos Navios ao Santos Dumont, nos horários de pico, com intervalo de 15 minutos e três veículos. Haverá nessa fase a conexão com outros transportes.

Tarifa x Bilhete Único
Com passagens a R$ 3,80, os novos trens terão integração com todos os outros transportes públicos da cidade: trens da SuperVia, metrô, barcas, teleférico do Morro da Providência, ônibus e BRT.

Em operação plena, a capacidade do VLT deve chegar a 300 mil passageiros por dia. O VLT vai operar 24 horas por dia nos sete dias da semana. Cada vagão vai comportar 420 passageiros.

Avisos ao longo da Avenida Rio Branco alertam pedestres (Foto: Rodrigo Gorosito/G1)Avisos ao longo da Avenida Rio Branco alertam pedestres (Foto: Rodrigo Gorosito/G1)

Agentes uniformizados estarão em todas as paradas orientando os usuários sobre o novo sistema. Não haverá cobrador no trem e por isso o passageiro terá que validar o seu bilhete em máquinas instaladas dentro das composições.

Quem não validar o bilhete dentro do VLT, poderá ser multado no valor de R$ 170.  A secretaria alerta que não será possível comprar o bilhete dentro dos trens. Para isso, serão instalados postos de vendas próximos das paradas na Avenida Rio Branco.

O mecanismo de pagamento será diferenciado. Será adotado o sistema de validação voluntária no qual, o passageiro, ao entrar no veículo, deve utilizar um dos autenticadores disponibilizados no vagão para efetuar o pagamento da passagem.

A segunda etapa de implantação do VLT – entre a Central do Brasil e a Praça 15 – está prevista para o segundo semestre, após as Olimpíada.

Guardas de trânsito trabalham durante passagem do VLT na Avenida Rio Branco (Foto: Rodrigo Gorosito/G1)Guardas de trânsito trabalham durante passagem do VLT na Avenida Rio Branco (Foto: Rodrigo Gorosito/G1)

 

 

Arte de como funciona o VLT do Rio (Foto: Editoria de Arte/G1)

 

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