Mãe acusa de injúria homem que teria chamado filha de ‘chimpanzé branca’


03/06/2016 06h18 – Atualizado em 03/06/2016 06h18

Criança, que é albina, sofreu ofensa em conversa pela internet.
Produtor cultural nega acusação e alega que foi vítima de um ‘fake’.

Cristina Boeckel

Do G1 Rio

O produtor teria chamado a filha da artesã, que é albina, de 'chimpanzé branco' (Foto: Liliane Salles/ Arquivo pessoal)O produtor teria chamado a filha da artesã, que é
albina, de ‘chimpanzé branca’
(Foto: Liliane Salles/ Arquivo pessoal)

Uma artesã do Rio de Janeiro registrou uma acusação de injúria racial contra um produtor cultural que teria chamado sua filha de 6 anos de “chimpanzé albino”.  A ofensa teria acontecido em dezembro de 2015, depois que um perfil com o nome de Oscar Ribeiro, que trabalha em uma agência que costuma agenciar a participação de crianças em desfiles, entrou em contato com a família para chamar a menina para um evento.

Liliane Salles, de 29 anos, mãe de Sophia, conta que a filha costuma participar de desfiles e propagandas desde que tinha 4 anos e, por isso, criou um perfil na rede social para ela. O registro contra o produtor foi feito na Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI), no final de 2015, mas, segundo Liliane, até agora não houve retorno da polícia.

Além de chamar a menina de “chimpanzé branca”, após recusas para participar dos supostos eventos da agência, o perfil no nome de Oscar Ribeiro teria feito outras ameaças.

“Ele entrou em contato [em dezembro] e convidou a minha filha para participar de um evento que aconteceu no último domingo (29). A gente demonstrou que não tinha interesse, recusou e ele ofendeu a minha filha”, explicou Liliane.

Oscar teria chamado a menina de “chimpanzé albina” em ofensas em conversas registradas na internet no dia 22 de dezembro. O caso foi registrado na Delegacia de Repressão de Crimes de Informática (DRCI), no dia 28 de dezembro.

No momento, eu senti raiva e revolta. Agora, eu também tenho a sensação de impunidade”
Liliane Salles,
mãe da criança

Sophia, a filha de Liliane, faz trabalhos como modelo desde os 4 anos. Posa para fotos e participa de desfiles. A mãe da menina conta que as ofensas ainda são dolorosas.

“No momento, eu senti raiva e revolta. Agora, eu também tenho a sensação de impunidade. Porque fomos na delegacia com as aprovas que tínhamos, e não tivemos nenhuma resposta”, ela afirmou sobre as investigações da delegacia especializada, sobre a qual afirma não ter obtido resposta.

Procurado pelo portal G1, o produtor Oscar Ribeiro afirma que quem conversou com Liliane foi um “fake”, ou seja, uma pessoa que se passava por ele, e nega ter proferido as ofensas contra a criança.

“Foi um fake, uma pessoa que fez isso para me difamar. Já sei quem é e denunciei à polícia”, explicou o produtor, que preferiu não dizer quem estaria tentando prejudicá-lo e nem onde a denúncia foi feita.

A mãe da criança contou que o caso prejudicou a sua vida e a da menina, que se sentiu afetada pela ofensa.

Liliane e a filha, Sophia, de seis anos (Foto: Liliane Salles/ Arquivo pessoal)Liliane e a filha, Sophia, de seis anos
(Foto: Liliane Salles/ Arquivo pessoal)

“Eu trabalho por conta própria e fiquei dois meses quase sem conseguir trabalhar, por medo. Cheguei a procurar auxílio psicológico para a minha filha, que ficou com medo, raiva e mais retraída. Eu cheguei a ficar com medo de mandá-la e a minha outra filha para a escola no começo do ano, com medo de uma represália”, contou Liliane.

Ela não acredita na versão do produtor e acredita que essa pode ser uma estratégia para se livrar da responsabilidade do caso.

“Isso não faz sentido, porque ele não teria um fake que o prejudica, mas trabalha e posta trabalhos dele”, afirmou a mãe da criança.

O G1 procurou a Polícia Civil para saber qual é o andamento das investigações. O inquérito sobre o caso foi encaminhado para o Ministério Público no dia 7 de janeiro, pedindo a quebra do sigilo dos dados do Facebook do suposto autor da injúria. A quebra do sigilo foi deferida e, com estas informações, os documentos voltaram para a DRCI no fim de março. O delegado despachou o documento e descobriu que existia um outro procedimento contra o mesmo autor na 10ª DP, em Botafogo. Assim, o suspeito deve ser intimado esta semana para prestar depoimento.

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